Uma meta-análise da University of Michigan acompanhou estudantes universitários americanos durante 30 anos e chegou a um dado que ainda provoca.
A empatia caiu 48%.
Não a simpatia, a educação, a cordialidade de superfície. A empatia real. A capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir o que ele sente, de deixar a realidade do outro te afetar de verdade.
Quase pela metade, em três décadas.
A pesquisadora Sara Konrath, que liderou o estudo, aponta algumas causas: a cultura do individualismo crescente, a exposição a modelos narcísicos como ideais a imitar, a substituição progressiva do contato presencial pela tela. E a redução brutal do tempo dedicado à leitura literária, que as neurociências demonstraram ser um dos exercícios mais eficazes de desenvolvimento da empatia.
Jean Twenge, da San Diego State University, documentou algo ainda mais revelador: a geração que cresceu com smartphones é a mais conectada da história e, ao mesmo tempo, a mais solitária. Mais ansiosa. Mais deprimida.
O que nos preocupa não é apenas o número. É a naturalização.
Quando ignorar uma mensagem vira hábito, quando tratar o outro como notificação a ser gerenciada se torna padrão, quando a relação humana passa a ser avaliada por custo-benefício imediato, a empatia não apenas declina. Ela deixa de ser um valor reconhecível.
E uma sociedade sem empatia não perde apenas conexão. Ela perde a capacidade de ser justa.
Porque a justiça começa onde começa a pergunta: como isso afeta o outro?

A boa notícia: neurociências confirmam que a empatia pode ser treinada. Não é um dom fixo. É uma prática. Uma escolha que se faz, repetidamente, de se perguntar o que está acontecendo do outro lado.
Você consegue identificar um momento recente em que a empatia te custou algo, e valeu a pena?
Série Integridade em Tempos Líquidos | 5 de 7




